O PRINCIPIO DE ORAR TRÊS VEZES
Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo
as mesmas palavras (Mt 26:44).
Por causa disto três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de
mim (2Co 12:8).
Há um segredo particular acerca da oração que devemos
conhecer, isto é, orar três vezes ao Senhor. Esta “oração tríplice” não fica
limitada a somente três vezes; pode ser feita muitas vezes. O Senhor Jesus
implorou a Deus três vezes no jardim do Getsêmani até que sua oração foi ouvida
— nesse ponto ele parou. Paulo também orou a Deus três vezes, e parou de orar
quando recebeu a palavra de Deus. Daí que todas as orações devem obedecer ao
princípio triplo. Esta “oração tríplice” não significa que precisados orar
somente uma, duas e três vezes e então parar. Simplesmente significa que antes
de pararmos devemos orar completa-mente por esse assunto até que Deus nos ouça.
Este princípio das três vezes é muitíssimo significante.
Devemos prestar atenção a tal princípio não somente em nossa oração pessoal,
mas também em nossas reuniões de oração. Se esperamos que nossa oração numa
reunião cumpra o ministério da igreja em realizar o que quer que Deus deseja
que façamos, devemos lembrar-nos desse princípio importante.
O princípio de orar três vezes é. orar completamente, orar
até que saibamos com clareza a vontade de Deus, até obtermos sua resposta. Numa
reunião de oração, nunca pense que por alguém já ter orado por um assunto este
não mais necessita de minha oração. Por exemplo, certa irmã está doente e
oramos por ela. Não é porque um irmão já orou por essa irmã que eu já não
precise acrescentar a minha oração à dele. Não, esse irmão orou uma vez, eu
devo orar a segunda vez e outra pessoa a terceira. Isso não implica que cada
oração deva ser feita por três pessoas. A oração deve ser oferecida com fardo.
As vezes precisamos de orar cinco ou dez vezes. O importante é que há
necessidade de oração até que o fardo seja desfeito. Este é o princípio de orar
três vezes. Este é o segredo do êxito de uma reunião de oração verdadeira e
proveitosa.
Não permitamos que nossa oração salte ao derredor como um
gafanhoto: pulando a outro assunto antes que o primeiro seja totalmente
esgotado, e antes que o segundo assunto tenha recebido a atenção total, pois
então nos encontramos de volta ao primeiro assunto. Tal oração saltitante não
desfaz fardos, e, portanto, é difícil conseguir as respostas de Deus. Tal
oração é de pouca utilidade e não preenche o ministério da oração.
A fim de preencher o ministério da oração devemos ter um
fardo de oração perante Deus, Não pretendemos ditar leis; somente desejamos
apresentar aqui este princípio. Reconheçamos isto: o fardo é o segredo da
oração. Se a pessoa não sente dentro de si o fardo para orar por um assunto em
particular, dificilmente terá êxito em oração. Numa reunião de oração alguns
irmãos podem mencionar muitos pedidos de oração. Mas se você não for tocado
interiormente, não pode orar. Portanto, cada irmão e irmã que yem a uma reunião
de oração deve ter um fardo de oração a fim de orar.
Ao mesmo tempo não se absorva totalmente na consideração de
que fardo você possui; deve também perceber o fardo dos outros irmãos e irmãs
que estão na reunião. Por exemplo, uma irmã pode estar tendo problemas com o
marido; outro irmão pode estar doente. Se na reunião de oração uma pessoa pede
que Deus salve o marido dessa irmã, e é seguida por outra pessoa que pede que
Deus cure a doença desse irmão, e por sua vez é seguida por outro indivíduo que
lembra perante Deus algo mais, então cada pessoa está orando somente por seu
assunto em particular. Tal oração não está de acordo com o princípio do orar
três vezes. Pois no exemplo que acabamos de dar, o que está acontecendo é que
antes que um assunto tenha sido total-mente esgotado, o segundo tópico já está
sendo motivo de oração.
Conseqüentemente, numa reunião de oração os irmãos que se
reuniram devem notar se um fardo de oração pelo primeiro assunto já foi
desfeito. Se todos orarem por essa irmã e o fardo da oração for desfeito, os
crentes podem então orar pelo irmão doente. Antes que o fardo da oração do
primeiro tópico seja desfeito, os que estão orando juntos não devem mudar para
o segundo ou o terceiro pedidos de oração. Suponha que o grupo inteiro ainda
esteja envolvido em um assunto particular. Então ninguém presente deve tentar
acrescentar oração que seja somente segundo seu próprio sentimento pessoal.
Os irmãos devem aprender a fazer contato com o espírito da
reunião toda. Devem entrar no sentimento da assembléia. Percebamos que por
alguns assuntos precisamos orar somente uma vez e o fardo é desfeito. Mas
outros assuntos talvez necessitem de mais oração, ao passo que às vezes devemos
orar três ou cinco vezes por outros assuntos antes que os diversos fardos sejam
desfeitos. Sem levar em consideração o número de vezes, o fardo deve ser
desfeito antes que a oração a respeito de certo item seja concluída. O
princípio de orar três vezes não é nada mais que orar até que o fardo seja
levantado.
Em tudo isto, é claro, os crentes devem também compreender a
diferença entre a oração pessoal e a oração coletiva. Quando a pessoa está
orando sozinha, pensa somente em seus fardos; mas na oração coletiva todos
deviam notar o fardo da reunião em vez de prestar atenção aos seus próprios.
Portanto, numa reunião de oração os irmãos devem aprender a perceber o
sentimento da reunião, Para algumas coisas, orar uma vez é suficiente. Não há
necessidade de orar outra vez, pois a assembléia não mais tem o fardo.
Mas por outras coisas, orar uma única vez não é o
suficiente. Talvez precisemos orar outra vez, a terceira ou a quinta vez por
esses assuntos. Antes que um fardo seja desfeito, ninguém deve começar a orar
acerca de outro. Todos devem esperar que o primeiro fardo seja levantado;
erigia alguém pode mudar para outro assunto à medida que o Senhor apresentar o
fardo para oração.
De modo que na reunião de oração, aprendamos a orar por
certo assunto permitindo que uma, duas, três ou cinco pessoas orem conforme
necessário. Não no sentido de cada um fazer sua própria oração, mas orar de
comum acordo enquanto nos reunimos. A oração de comum acordo é algo que devemos
aprender. Certa pessoa pode ser capaz de orar por si mesma, cinco pessoas podem
ser capazes de orar respectivamente, mas todos nós, quando nos reunimos devemos
aprender um novo tipo de oração, que é a oração de comum acordo. Percebamos que
a oração pública ou coletiva não vem automaticamente; deve ser aprendida.
“Se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito
de qualquer coisa que porventura pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai que
está nos céus” (Mt 18:19).
Isto não é algo insignificante. Devemos aprender a perceber
o sentimento dos outros, aprender a tocar o que é chamado de oração da igreja,
e aprender a discernir quando o fardo é levantado. Então saberemos como
realizar o ministério da oração na reunião.
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